Sábado, Setembro 10, 2011

O dia que o mundo mudou

Poucos fatos isolados tiveram tanto impacto imediato na humanidade como os atentados às torres gêmeas em Nova York em 11 de setembro de 2001. Talvez a bomba de Hiroshima e a queda do muro de Berlim foram eventos que também marcaram de forma contundente, a história contemporânea. A bomba atômica determinou trágicamente o final da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria. Já a queda do muro marcou o início da vitória do capitalismo sobre o comunismo e exatamente o início do final da Guerra Fria. Os três eventos não ficaram marcados somente pelo impacto que causaram à história, mas também e principalmente por terem sido filmados e amplamente divulgados, tornando-se também um produto da mídia à serviço de ideologias. Por mais nefasto e vil que tenha sido o ataque à Hiroshima, as imagens serviram para reforçar a hegemonia estadunidense como a mais forte e mais temida potência mundial. Da mesma forma, a manisfestação popular em Berlim mostrou ao mundo o fim de um sonho que havia se tornado um pesadelo de tirania, corrupção e deslumbramento do poder do modelo social comunista. Mas afinal, e o que representa os ataques de 11 de setembro? Para muitos, apenas um grande evento-catástrofe transmitido ao vivo para o mundo inteiro como uma grande produção digna de Hollywood. Mas para outros os atentados representam o início do final do Império Americano e por consequência, uma ameaça à cultura ocidental. Em termos histórico dez anos ainda é pouco tempo para comprovar essa tese, mas a hipótese está cada vez mais plausível. São vários fatores que corroboram para isso, como o fortalecimento dos países em crescimento (BRIC) e o endividamento crescente dos Estados Unidos principalmente e exatamente pela sua política constante de estado de guerra que já dura um século quase ininterrupto. Mas a grande ameaça como em outras vezes na história da humanidade vem do campo religioso, que neste caso representa o contraponto entre a civilização judaica-cristã e mundo islâmico radical. O chamado "Choque das Civilzações" teve sim seu marco histórico no ataque terrorista de 11 de setembro, mas não podemos por causa disto nos tornar xenofobistas e achar que todo mulçumano quer o fim da cultura ocidental da mesma forma que nem todo judaico-cristão quer jogar uma bomba atômica. O crescimento do Islamismo radical é um processo histórico que está diluido de forma segmentada, com presença marcante ainda concentrada no Oriente Médio e África e que começa à atingir a Europa e América do Norte à partir do século XXI. Já no Brasil estamos um pouco fora do eixo e o crescimento dos evangélicos é que é uma ameaça mais imediata ao nosso estilo de vida atual. Mas para mim os ataques tiveram um efeito particulamente afetivo e estético. Acho que todos que moravam ou visitavam regularmente New York, tinham uma ligação especial com o WTC. Mesmo não havendo unanimidade sobre sua arquitetura, vale lembrar aqui a piada dos novaiorquinos que se divertiam em dizer que as torres gêmeas eram na verdade as caixas do Empire State e do Crysler Building, mas era inegável o poder que elas exerciam sobre todos. O desaparecimento deste símbolo me fez entender que as imagens urbanas não eram tão permanentes como eu acreditava e entendí que ver todos os dias a mesma paisagem imutável me dava um certo conforto de imortalidade. De alguma forma, com a queda das torres eu passei a questionar a falsa sensação de permanência e me tornei mais mortal, mais humano e passei a ver o mundo de forma diferente. Aquele dia definitivamente mudou o mundo, pelo menos o meu.

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