
Ai ai. Eu até gostaria de falar bem da nova edição da bienal dos pampas, mas... Vai ser difícil engolir tanta pretensão, tanta proposta, tanto autistas... e me desculpe os autistas em fazer esta triste comparação, mas é que esses pós-modernos estão num nível muito acima do nosso vazio existencial, não entregam mais nada pronto e até me sinto numa pizzaria tendo que ir pra cozinha jogar o disco pra cima e ainda ter que cortar a lenha pra assar minha redondinha.
O que estou querendo dizer é que quem chegar na Bienal com fome e esperava comer um rodízio, vai ter que trabalhar muito pra traçar uma fatia de pepperoni e com o risco de tomar com uma cerveja choca.
A conclusão que chego é que nós, simples mortais visitantes, somos uns burros , mal-educados, que não temos paciência de ouvir os queridos monitores e muito menos em ler nas entrelinhas... ah! e como tem entrelinhas, entrecurvas, entreatos, entreveiros, e pouco entreterimento. Poxa! queríamos circo, queríamos parquinho de diversão. Não tem mais aqueles trocinhos interativos que eram moda há bem pouco tempo. Agora parece tudo estudos de monografia acadêmica incabada, com direito aos livros, rabiscos , gráficos e toda aquela confusão que me fez sentir num debate cabeça numa república universitária, com uma duzia de nerds tentando provar a existência da curva exponencial do espaço, fumando muito baseado e com os Ramones gritando pela sala.
E aqueles videos...ahhhh.... que medo. Super conceituais, dialogam com os espaços vazios, com as viagens e com as fronteiras...Exatamente ! Perfeito ! E ficam assim, dialogando com a sala vazia porque ninguém tem paciência pra ficar viajando nas fronteiras da loucuras dos autores. Já as instalações de arte estão menos instaladas. Com algumas casinhas meigas e alguns containers com nome muito legalzinho - ZAP (Zona de Autonomia Poética) que para mim foi Zapt-Zupt e muito cenário que lembram sets de gravação, tudo muito fake, será isso??
Na verdade é muito chato falar de geografia sem falar de política e tendo que parecer arte. Parece muito planfetário, com muito rancor, muita cobrança, muito soy-latinoamericano, muita anti-xenofobia, muito papo cabeça. A proposta do curador José Roca, Ensaios de geopoética, é louvavel e ambiciosa. Ao propor estender a ação da Bienal no espaço e tempo, especialmente no território do Rio Grande do Sul, tornou a mostra muito menor e muito menos interessante, além da chatisse do projeto pedagógico que acabou excluindo o visitante casual e que tornou a 8 Bienal do Mercosul uma feira de ciências escolar.
Mas não vá dizer por aí que eu não gostei. Verdade, juro que gostei. Tem gente muito boa, tem trabalhos muitos bons que vale a pena ver, rever, parar, sentar, ler, babar... Regina Silveira, Kochta & Kalleinen, Jose Alejandro Restrepo, André Komatzu, Emmanuel Nassar, Mark Lombardi , Manuela Ribadeneira e mais uma duzia de bacanas
Mas como todo culinarista sabe, não é só porque se está misturando tudo de bom num calderão que vai dar uma boa sopa.
Foto -
André Komatsu - O estado das coisas - Instalação
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